trivialidades


Como de hábito, na falta de algo relevante para publicar, seguem algumas das curiosas frases-chave (algumas estranhíssimas!) por meio das quais certos visitantes chegam ao hebdomadário.

  • nem tudo precisa ser ditto

  • amo-a mas ela não quer se divorciar

  • pequenas mensagens excitantes

  • que barba me fica bem?

  • por que o cromossomo Y é tão estranho?

  • coisas interessantes para se fazer num restaurante

  • como dizer o que o outro quer ouvir?

  • quais as utilidades da pedra ume?

  • tomo leite com chocolate devo parar?

  • tendências maníaco depressivas

  • doenças esporádicas, inexistentes

  • acontecimentos que aconteceram em outubro

  • manual das técnicas de tortura

  • como conquistar uma garota de 10 anos?

  • perguntas tolas de mulheres sobre coisas

  • porque homens omitem certos assuntos?

  • quem criou o cartão de telefone?

Uma dica bastante útil para que não se perca tempo entrando em lugares indevidos: ao digitar a frase nos buscadores coloque-a ENTRE ASPAS. Assim, a frase inteira será procurada e não todas as palavras soltas, aleatoriamente.
O mais curioso, entretanto — ao menos para mim —, é que mesmo vendo que o meu blog não contém o que procuram (sim, porque os buscadores dão uma pequena mostra dos textos nos quais as palavras isoladas aparecem) as pessoas entram.
Enfim, espero que os visitantes que chegaram inadvertidamente ao meu blog tenham gostado de algo.

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café

Desde muito pequeno sempre gostei de tomar café. Se não estou enganado, devo ter começado tal “hábito” por volta dos 6 ou 7 anos, quando enchia um copo até quase a boca de café preto sem um pingo de leite e sorvia-o com prazer enquanto mastigava pão com manteiga. Nunca fui muito apreciador de leite — ao contrário do meu irmão, que enchia o copo quase até a boca do líquido branco sem um pingo de café (que ele sempre detestou) e sorvia-o com semelhante satisfação. Por conta dessa particularidade — eu só gostar de café e meu irmão só gostar de leite — os adultos atribuíam (brincando, claro) a tal gosto o fato de eu ser moreno e meu irmão ser loiro. Ainda criança, durante algum tempo acreditei mesmo nessa possibilidade.

Mas nunca fui um apreciador compulsivo de café, e jamais, em momento algum desde que comecei a tomá-lo, senti qualquer espécie de necessidade urgente quando privado da bebida por certos períodos. Aliás, depois da “descoberta” do mate, quando adolescente, o café praticamente caiu no esquecimento — já que o mate gelado parecia combinar bem mais com o calor inclemente que faz no Rio. Além disso, após da “descoberta” do chá, um pouco mais tarde, o café foi relegado a ocasiões bastante esporádicas — eu poderia mesmo dizer quase inexistentes.

Mais de 30 anos se passaram, e, pouco a pouco, o café foi reconquistando seu lugar na minha vida. Com o tempo, acabei adotando uma prática que não só me satisfaz como agrada plenamente: no verão, mate ou chá gelado; no inverno (ou no que deveria sê-lo), café puro ou café com leite — incluindo cappuccino e cia — e também chá quente. Assim, alternando bebidas geladas e quentes e variando pães, queijos e geléias, a “hora do café” sempre me pareceu um dos momentos mais agradáveis do meu dia.

Recentemente, aproveitando a temperatura mais amena que deveria corresponder ao inverno, achei que já estava na hora de voltar a tomar café. Querendo ser prático — e também para obter um café com leite menos aguado —, me ocorreu misturar café solúvel ao leite. Aliás, eu já havia usado essa “técnica” anteriormente e tudo me pareceu bastante satisfatório. É certo que os puristas (e/ou baristas) não considerem café solúvel como CAFÉ propriamente dito, mas nunca fui muito exigente neste aspecto: basta ter aroma e gosto de café que já fico contente.

Só que desta vez algo inusitado aconteceu. Depois de um curto tempo fazendo uso do café solúvel — a mesma marca que sempre consumi — no leite, e também do chá quente, alternadamente, não demorei a constatar uma coisa muito estranha: os dias em que eu tomava chá eram sucedidos por manhãs de intensa dor de cabeça — dores sem explicação alguma, e que passavam imediatamente quando eu tomava café (e nem precisava ser café solúvel). Tão surpreso quanto intrigado, fiz e refiz o “teste”: nos dias em que tomei café, as manhãs seguintes foram normais, sem dor de cabeça alguma; nos dias em que tomei chá, dores fortíssimas pela manhã. Jamais pensei que tal coisa fosse possível, pior ainda: que eu seria vítima dessa estranheza. A menos que uma incrível coincidência esteja acontecendo juntamente com o “teste” (coincidência que me parece inconcebível), atribuo ao café solúvel este episódio desagradável. O mais estranho é que sempre consumi a mesma marca do tal café e isso nunca havia acontecido — uma marca supostamente bastante confiável, tradicional e respeitável. Terão mudado a fórmula do… café? Terão incluído algum novo componente ao produto? — o rótulo não informa nada além de “não contém glúten”. Alguém já ouviu falar em algo parecido com essa espécie de dependência?

Na verdade, não me sinto realmente “dependente” do café solúvel, mas como não gosto de acordar pela manhã com a cabeça latejando terrivelmente e parecendo pesar mil toneladas, admito que tenho procurado fazer uso dele na parte da tarde. Venho mudando gradativamente para o café não solúvel — já que ele parece surtir o mesmo efeito “preventivo” —, a fim de ver se me livro do inconveniente. Se alguém souber de um “antídoto” ficarei imensamente grato.

Ocupado demais — tentando dar vazão à minha “carreira internacional” — para escrever algo relevante. E assim, obviamente, ocupo este espaço com o irrelevante.

Em todo caso, já que tive tempo suficiente de ao menos publicar este “aviso”, aproveito para dispor um fragmento de minha autoria que até hoje, depois de tanto tempo (e depois de tantos escritos!), ainda me faz pensar: 

“Escrever… para quê?, para quem? Por que escrever? Qual a finalidade desse contínuo enfileiramento de palavras?… tão imprecisas, tão excessivas… que dizem sempre tão pouco…”
Os Malabaristas – cap. 2

Como não consegui pensar em nada razoável para publicar esta semana, recorro a um “repeteco”: um post já publicado nos primórdios do meu blog anterior (mas que está valendo até hoje). Acho que foi a coisa mais divertida que já escrevi — até eu achei graça quando o reli!

futilidade masculina

Se existe uma coisa que detesto é ter que fazer a barba. Digo “ter” porque de nada adiantaria deixá-la crescer: além de rala e falhada, agora a profusão de pêlos brancos que insistem em surgir me deixam com um aspecto deplorável. Desde que esses pêlos começaram a nascer no meu rosto adolescente experimentei várias formas na tentativa de remoção; na verdade cinco. Vamos a elas:

1. Barbeador Elétrico

Algo que só funciona perfeitamente se for usado a cada 30 minutos (quem tem barba cerrada deve aumentar o intervalo para 5 minutos). Foi meu primeiro contato com a prática (nada prática) na remoção de pêlos faciais. Pensando que o problema estava nos produtos usados na pele (talco ou óleo) para fazer o barbeador deslizar, alternei os dois durante muitos anos, até abandonar a técnica pouco eficaz de vez.

2. Lâmina de Barbear

Pareceu-me a alternativa óbvia ante o fracasso do barbeador elétrico. Comparativamente mais eficiente que o primeiro método, o mais desagradável é que, junto com os pêlos, uma considerável camada de pele é removida pelas lâminas (inútil aquela borrachinha que alegam conter Aloe vera). Para quem, como eu, tem pele fina nada mais “confortável”. No entanto, a parte mais dramática vem na seqüência: a aplicação da loção após barba. É como deslizar nu sobre um tobogã de gilette caindo imediatamente numa piscina de álcool. Ui! Achei que fosse questão de tempo esperar minha pele “engrossar” com tal processo, mas isso nunca aconteceu.

3. Depilatório (sim, eu fiz isso!)

Sempre buscando alternativas inovadoras, observei que minha mãe usava um método que parecia interessante na remoção dos pêlos de suas pernas: eles eram dissolvidos!, e demoravam um tempão a renascer. Por que não adaptar tal coisa ao meu caso?, pensei. A embalagem alertava para o uso do produto exclusivamente nas pernas ou axilas, mas desconsiderei a advertência, achando que apenas não tinham tido a mesma idéia brilhante que eu. Passei a gosma com cheiro de esgoto no rosto, prendendo o nariz com a ponta dos dedos e olhando no espelho o resultado milagroso. Mas o que vi foi meu rosto instantaneamente vermelho e ardente como brasa, chegava a sair fumaça! Água, água, água! A cara ficou um desastre por vários dias, mas consegui sobreviver.

4. Cera quente (desespero de causa?)

Uma conhecida — que se considerava esteticista — garantiu-me que com a cera quente eu me livraria da barba por aproximadamente 2 semanas. Se eu tornasse aquela prática num hábito, em pouco tempo não teria mais que me preocupar com o barbear, continuou ela assegurando. Acreditei. No cubículo escuro que ela denominava consultório, deitei numa espécie de maca e deixei que a “esteticista” arrancasse meu couro. Quando a sessão de tortura terminou — cerca de duas horas mais tarde — ela me deu um espelho de mão. Naquela escuridão o resultado me pareceu satisfatório, e eu nem fiquei chateado em pagar a fortuna cobrada pelo serviço. Só quando cheguei em casa, e corri ao espelho iluminado do meu banheiro, pude comprovar a realidade: um monte de pêlos indesejáveis vicejava em plena vermelhidão facial! Quatro dias mais tarde TODOS os pêlos me acenavam debochados da saída de seus folículos.

5. Pinça (técnica chinesa – de paciência)

Requer habilidade, dedicação e muito, muito tempo. E, claro, precisa ser feita em etapas. Inconvenientes: alguns pêlos renitentes são dolorosíssimos de se arrancar, sobretudo os mais grossos; a probabilidade dos novos pêlos encravarem é surpreendente (eles ficam revoltados). Desvantagem: sendo feita em etapas, a cara fica parecendo uma lavoura abandonada no meio da colheita. Acabei me rendendo aos inconvenientes e desvantagens.

Hoje, mais de 20 anos depois do início de tudo, acabei adotando as lâminas de barbear como a técnica menos complexa. Ainda me corto todo e minha pele parece afinar cada vez mais. Entretanto, alguém teve a excelente idéia (deve mesmo ter sido um homem) de mudar a fórmula de algumas loções após barba tornando-as compatíveis com a pele humana retalhada. A descida sem roupa no tobogã de gilette continua a mesma, só que o mergulho agora é feito num tanque de bálsamo hidratante de fácil absorção, que amacia e relaxa a pele, deixando-a com aparência saudável. Estranhamente, apesar de soar como pura frescura, a promessa das novas loções se cumpre. Enfim, um pouco de suavidade nesta tarefa ingrata.

carta

Recentemente, arrumando gavetas — procedimento que sempre acabo adotando no fim do ano — encontrei uma mini-análise grafológica que, se não me engano, fiz no começo dos anos 80, num shopping do Rio. Bastava escrever uma das frases indicadas (sim, pois era necessário que determinadas letras fossem obrigatoriamente escritas) para que uma espécie de computador apontasse alguns traços significativos da personalidade do interessado. O resultado da minha curiosidade foi o seguinte:

  • a insociabilidade pode ser o seu ponto mais fraco

  • você se caracteriza por auto domínio e disciplina, apesar de seu entusiasmo

  • você tem espírito ativo, independente e muito sensível

  • você é uma pessoa sonhadora e imaginativa, porém extremamente equilibrada

  • sua capacidade de articulação é notável

  • você é uma pessoa madura, mas demasiado voltada para si mesma

Lembro que na época (eu devia ter uns 20 anos) achei interessante o perfil que minha letra revelava, ainda que não concordasse inteiramente com ele. Hoje, para minha surpresa, ainda que minha letra não seja mais a mesma, e que eu nem acredite tanto na grafologia (ou pelo menos nessa versão tão resumida), o resultado me parece bem mais fiel ao que acabei me tornando. Excetuando-se a “notável capacidade de articulação”, que não tenho mesmo, o restante é o meu retrato: sem tirar nem pôr. Análise futurológica? Talvez. 

Eu já tive uma letra que considerava (e consideravam) muito bonita — provavelmente por causa da minha habilidade com desenho. Entretanto, com o passar do tempo, e com a cada vez mais rara possibilidade de escrever a mão — ah, computadores! —, minha caligrafia se degenerou em algo que hoje me espanta, me aborrece. E se eu fizesse o mesmo teste nos dias atuais?, o que será que minhas garatujas revelariam? Provavelmente algo diferente do perfil de 20 anos atrás… ou não?

A verdade é que, atualmente, não tenho mais tanta necessidade de saber quem sou: talvez eu já o saiba, ou talvez isso não importe tanto. O que me parece certo — e lamentável! — é que acabei perdendo uma “habilidade” que, independente de análises, me caracterizava de forma personalíssima, exclusiva, singular. Que saudades da minha letra de outrora!…