profissional


férias

Isso mesmo: vou tirar férias do blog para poder me dedicar exclusivamente ao trabalho que estou fazendo — e que deve durar até fevereiro.
Não, eu não escrevo vários posts por semana, apenas um, mas isso (quando tenho algum assunto relevante) é algo que exige tempo não só para escrever, bem como para revisar o texto. Podem me chamar de exagerado, mas tudo o que costumo “assinar” tem de ficar da melhor forma possível. Afinal, com a idade estou cada vez mais exigente, sobretudo comigo mesmo — o que não quer dizer que eu sempre tenha êxito nos meus intentos. Além disso, manter um blog — pelo menos para mim — significa também responder os comentários e visitar os blogs dos “comentaristas”, o que também toma tempo — ainda que eu tenha poucos visitantes que comentam (a propósito, prefiro qualidade).
Para completar, estamos no tal fim de ano, em que Natal e Ano Novo sempre ocupam todos os espaços — mesmo quando não o desejamos (e eu nunca o desejo!).
Assim, tirarei férias virtuais, pois na vida real estarei bastante ocupado.
Se tudo correr como estou prevendo, devo voltar em fevereiro.
Até lá!

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entre cores e temas

Passei a semana anterior fazendo pesquisas sobre os novos temas propostos pela minha agente de Londres para a coleção Primavera-Verão 2008 (apesar de as cartelas de cores serem de 2009). Enfim, são tantos temas e derivações — que podem ser explorados de maneiras quase infinitas — e tantas cores — que também podem ser multiplamente combinadas — que não tive tempo de pensar em nada, ou melhor, de escrever nada, relevante para publicar aqui (aliás, o que é relevante?).
Eu já tinha começado a criar algumas padronagens que, por sorte, consegui encaixar num dos temas, mas foi dificílimo encontrar uma paleta de cores perfeitamente adequada à mini-coleção que eu já havia elaborado. É que nem sempre as cores da mesma cartela funcionam bem para padrões distintos que se pretende reunir num único grupo. E quem imagina que “pintar desenhos” é coisa simples e divertida não faz idéia da trabalheira que essa tarefa pode dar. Só para que se tenha uma idéia: levei o fim de semana inteiro (parte da sexta e da segunda-feira também — 3 dias, portanto) para definir as cores de quatro(!) padrões. Demorei, mas encontrei uma solução que me satisfez, muito.
Tenho até fevereiro do ano que vem para enviar minhas criações — o que, felizmente, me manterá bastante ocupado no tal final de ano, que eu abomino.
A título de curiosidade, segue o link para as cartelas de cores do verão 2009 (na Europa), e também alguns dos temas e seus desdobramentos:

Lenzing Colors | Trends Summer 2009

Nautical
70’s inspired | lots of nautical prints | stripes | dots | cute character prints over stripes

Camping
classic plaids | boyish checks | plaids with gradient

Sweet California
girly small flowers | hippie chic |two colour flowers | ditsies | vintage florals

Tenho grande implicância com anúncios de emprego que pedem ao provável candidato para especificar quanto pretende receber pela função que desempenhará caso seja contratado. Fico sempre com a impressão de que tal estratégia se constitui numa espécie de leilão (oculto) às avessas, no qual os que derem os menores lances terão as maiores chances de contratação. Evidente que cada empresa deve ter o direito de formular os anúncios de seleção de emprego segundo seus próprios critérios, e cabe ao interessado (ou implicante, como eu) decidir se vai participar do tal leilão ou não.

Recentemente, respondi a um anúncio no jornal que solicitava um profissional com o perfil que considero ter — sim, eu ainda me sinto atraído por um emprego com carteira assinada (por mais antiquado que isso pareça hoje em dia). Para meu alívio, o anúncio não pedia que o candidato à vaga informasse sua pretensão salarial — o que me fez acreditar que o salário não seria leiloado; apenas não tinha sido divulgado (aliás, algo nada prático levando-se em conta que, no fim de tudo, o ordenado poderia não me interessar). Enfim, enviei o currículo e o link para meu portfolio, mas sem muita expectativa.

Dois dias depois, recebi uma resposta do setor de recursos humanos da tal empresa dizendo que meu currículo e portfolio se enquadravam no perfil que eles procuravam para a vaga de designer. Porém, para minha insatisfação, o e-mail terminava com a seguinte frase: “Gostaríamos de agradecer seu interesse e saber qual sua pretensão salarial para o cargo em questão”. Ou seja, eu não estaria livre do leilão: ele só não havia (ainda) sido anunciado. Pensando bem, se eu me enquadrava no perfil — o que significava, em tese, um tipo de prerrogativa —, não custava informar o que me solicitavam.

Sei bem quanto vale o meu trabalho e quanto eu gostaria de receber por ele. Sei também que os tempos estão cada vez mais difíceis para determinadas categorias profissionais e para contratações. A fim de não fornecer um valor totalmente fora da realidade, apesar de já saber a quantia que eu pretendia ganhar mensalmente, telefonei para uma amiga que trabalha na mesma área que eu e desempenha a mesma função. Ela me disse exatamente o valor que eu tinha pensado — R$ 200,00 a mais do que eu ganhava no meu último emprego há 4 anos. Assim, enviei minha resposta ao setor de recursos humanos.

Até hoje — e lá se vai quase um mês — não obtive resposta, mas não é preciso pensar muito para concluir que meu “lance” não deve ter sido dos menores. Por que, se era tão importante, a pretensão salarial não foi pedida desde o início? Ou antes: por que a empresa não revelou de uma vez quanto poderia pagar a fim de atrair apenas os realmente interessados? Porque, muito provavelmente, devem ter tido receio de, ao revelar o (baixo) salário, receberem apenas currículos e portfolios ruins, ou sequer os receberem. Deste modo, a tática do leiloamento deve corresponder à esperança de, talvez, obterem material de qualidade de alguém com pretensão salarial abaixo da média — o que não deve ser muito comum (ou será que me equivoco?).

Para que serve o tempo? Para ser aproveitado… tanto quanto para ser desperdiçado! Muitas empresas poderiam economizar tempo e também poupar o tempo dos pretensos candidatos se fossem mais objetivas, diretas, sinceras, em resumo, mais profissionais. É claro que não é a primeira vez que isso acontece ao longo da minha “carreira”, mas se fosse a última eu ficaria bastante satisfeito (não custa sonhar!). Em todo caso, fora o tempo perdido, não há o que lamentar: se não podiam pagar o que eu pretendia receber (que nem era tanto assim), eu não devia mesmo me enquadrar no perfil da vaga disponível.

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Adendo: escrevi este post ontem, domingo. Hoje pela manhã, encontrei na minha caixa de correspondência o e-mail da “empresa leiloeira” informando que a vaga já havia sido preenchida — que novidade! Agradeceram minha participação e disseram que meu currículo e portfolio ficariam arquivados no banco de dados para uma oportunidade futura — oportunidade que, para quem sabe ler nas entrelinhas, jamais acontecerá. Pelo menos se dignaram a me responder…