inconfundvel

Gostei dos seus músculos… tá cobrando quanto? | Quarenta. | Pago vinte, vai? | O quê!? | Tá bom, tá bom, trinta, mas a gente racha o motel. | Fechado.

No quarto quente cheirando a orgasmos, agarrou o garoto parrudo, arrancou-lhe a camiseta surrada num puxão. Deteve-se admirando a musculatura do outro brilhando nos reflexos do néon vindos da rua. A boca salivando. Lambeu o bíceps direito, escorregou a língua pelo antebraço, deliciou-se com a mão inteira, enorme, vigorosa, dedos grossos, rombudos. Pediu um tapa, bem forte, bem dado, mas só com a direita, sempre. O michê riu, adivinhando a tara do tipinho, inconfundível. Bateu com força, o outro cambaleou. Mais forte, sem pena! Outro tapa, Isso!, e outro, Bate!, e outro, Vai!, um soco, Assim!, um murro, Me arrebenta!… Empolgou-se, e bateu tanto no cliente insaciável que pensou tê-lo apagado. Aproximou-se do corpo inerte. Na cama, gemendo baixinho, o rosto meio desfigurado, a boca sorria, extasiada, um fio vermelho escorria tingindo a fronha encardida. Mil vezes melhor que sexo, orgasmo explosivo sob os golpes, com roupa e tudo, como nunca, a melhor vez de todas. Abriu os olhos, inchados. Pegou o punho direito do musculoso e começou a beijá-lo, grato por tanto prazer. Vontade de ter para si, e para sempre, aquele braço potente, aquela mão pesada, dedos de soco-inglês…

E aí, gostou?, chega ou quer mais? | Eu quero mais: agora com as duas mãos!

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Escrevi o miniconto atendendo à solicitação de um amigo virtual, que desafiou a mim e a outras pessoas “metidas a escritor” a criarem textos curtos, de no máximo três parágrafos (e em três dias), sobre o tema SPANK ME. Na ocasião (maio de 2005), os textos selecionados — o meu, inclusive —foram publicados numa revista literária virtual, agora extinta, chamada PATIFE