filosofices


Sîdrome de Franz

Você conhece alguém com Síndrome de Franz?
Como esta pergunta só fará algum sentido para quem tiver lido até o capítulo 5 do meu livro on-line, e como não sei ao certo se os visitantes deste blog chegaram a tanto (se é que chegaram), vou dizer resumidamente as principais características do personagem. Ah, a expressão que dá título ao post foi criada por mim.

Franz é um rapaz aparentemente inteligente, sedutor, bonito e que promete muito mais do que pode (ou pretende) cumprir. Pior: ciente de que não tem mais a menor vontade de fazer o que combinou, não o informa a quem ainda acredita no combinado. Mais grave ainda: não dá sequer uma reles explicação (ainda que falsa ou absurda) sobre um comportamento totalmente incompatível com a imagem que se esmerou tanto em construir. Na verdade, não só nada esclarece quando o pior vem à tona como ainda foge de sua “vítima”. Entretanto, apesar de tudo isso (ou justamente por isso), Franz se mostra uma pessoa instigante, enigmática, fascinante… porque parece sempre ocultar (talvez de si mesmo) um dado significativo capaz de mudar tudo.

Menciono isso porque houve quem alegasse, ao ler meu romance, que Franz não era um personagem convincente, já que suas atitudes e comportamento pareciam improváveis. Pois eu asseguro: dos personagens do livro Franz é o menos fictício de todos! — o que só comprova a tese de que a realidade, muitas vezes, pode ser bem mais inacreditável que a ficção.

O fato é que pessoas como Franz (ou com sua síndrome) existem de verdade, por mais estranhas e inverossímeis que pareçam. Meu personagem foi construído tendo como base uma pessoa real, que conheci à distância, e outra, que conheci bem de perto (da qual falarei oportunamente). Apesar de ter “usado” dois indivíduos para moldar a personalidade de Franz, um deles prevaleceu em 90%, ou seja, não foi uma equação elevada ao quadrado. Por isso mesmo não há exagero algum nos atos de Franz: ao contrário, cheguei até a atenuá-los em alguns pontos.

O rapaz alemão no qual me inspirei para compor Franz e a moça francesa que conheci pessoalmente (com quem me correspondi durante anos), me faziam acreditar que o tipo fosse característico de países europeus. Estava enganado. Muito recentemente, quase encontrei uma pessoa com Síndrome de Franz nativa aqui do Rio de Janeiro. Alguém que eu já conhecia virtualmente, mas que na hora de se tornar real desistiu de um simples contato que, pelo menos para mim, tinha tudo para ser o início de uma interessante experiência. Admito que até agora não entendi exatamente o que poderia ter acontecido para nada ter acontecido, já que nenhuma explicação me foi dada — e não foi por falta de iniciativa minha —, mas tudo (me) leva a crer que a responsabilidade por essa estranheza coube a mim, evidentemente. Uma das estratégias de quem tem Síndrome de Franz é deixar em sua ausência uma infinidade de dúvidas, perguntas sem resposta e sensação de culpa. Enfim, como eu já conhecia o tipo, minha surpresa se ateve mais ao fato de saber que pessoas assim também existem abaixo do Equador. Em todo caso, tive mais sorte que Liz (a protagonista do romance que se encontra com Franz em Amsterdam e tem uma experiência nada agradável). Melhor mesmo não perder tempo e gastar energia com quem não sabe o que quer. Ainda assim, por mais instigantes, enigmáticas e fascinantes que estas pessoas possam parecer, uma coisa me intriga: qual a real finalidade de se “autodemolir” quando, se a verdade fosse dita desde o início, tudo poderia ser perfeitamente compreendido? Será que com sua “rejeição” buscam justamente serem rejeitados? Por outro lado, será que, como Liz, tenho certa tendência a atrair (ou ser atraído) por esse tipo de gente? Serei mesmo tão parecido com ela neste aspecto? Se eu estudasse psicologia creio que teria um ótimo assunto para elaborar uma tese…
E você, conhece alguém com Síndrome de Franz?

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  • Certos atributos físicos só podem ser percebidos em plenitude e em sua devida beleza quando isolados do todo ao qual pertencem. Por outro lado, esse “destaque” pode enganar incrivelmente quem só o conhece isolado do restante e tenta imaginar o conjunto.

  • Muitos desentendimentos acontecem por erros de comunicação. E tais equívocos podem fazer com que pessoas interessantes deixem de se conhecer. Às vezes é aconselhável insistir quando não se acredita num erro tão grotesco. Uma mera provocação pode surtir efeitos significativos, e o que antes parecia desprezo se mostra algo bem diferente disso.

  • Palavras, sobretudo escritas, têm um poder impressionante quando bem escolhidas e habilidosamente dispostas em frases. Dependendo do destinatário, e de sua resposta, elas podem surpreender tanto quem as leu como quem as escreveu.

  • A mentira pode até ser prática quando precisamos fazer uso dela, mas quando é usada contra nós, e temos consciência disso, ela sempre soa um tanto cruel, sobretudo dependendo de quem nos está mentindo.

  • Tentar adivinhar algo que nos parece óbvio nem sempre significa descobrir a verdade. Nem tudo é o que aparenta ser, principalmente quando se ignora uma série de fatores e quando não se pode deixar de fantasiar.

  • É inútil sentir raiva de alguém quando tudo o que se deseja é justamente o oposto. O máximo que se pode fazer neste caso é sentir raiva de si mesmo por querer algo fora de alcance, ou quase. Mas isso também nada resolve.

  • De que adianta saber a diferença entre miragem e oásis quando se continua monologando no deserto?

  • Muitas vezes a paciência pode ser a melhor estratégia para se conseguir rapidamente o que se busca. Entretanto, mesmo a paciência tem seus limites.

  • Cartas de baralho e pérolas, além de excitantes e perturbadoras, podem ser muito instrutivas.

cartas na mesa

Pode ser até que eu esteja enganado, ou melhor, iludido, mas creio que o ano de 2007, pelo menos em determinado aspecto, será bastante promissor para mim. Ainda que eu esteja me antecipando (ou sendo muito otimista) em pensar de tal modo, o resto do ano que se extinguiu me forneceu alguns indícios de que devo acreditar no que estou intuindo — até porque eu quero isso.

O curioso é que tudo se desenrola num campo que eu já considerava estéril — não canso de me equivocar sobre certas coisas, felizmente! É verdade que o início desses “acontecimentos” não foi provocado por mim, mas, uma vez desperto achei interessante permanecer de olhos abertos. Bem abertos. Mesmo que  esta partida tenha sido adiada, ou jamais ocorra (como tudo indica), já que eu estava na mesa de jogo, por que não esperar — ou provocar! — uma nova rodada? O que eu teria a perder?

Espantosa a quantidade de cartas do baralho que acabou caindo na minha frente! Tantas que fiquei sem saber exatamente quais reunir na minha mão. Selecionei as que me pareceram mais valiosas, mas isso dependerá das minhas jogadas, evidentemente. Não sei ainda se ganharei a partida, mas já me dou por satisfeito em poder estar jogando: não é isso o que dizem sobre as competições? Confesso que estou surpreso por ainda me surpreender comigo mesmo: uma espécie de “novidade” que faz com que eu goste de ser exatamente quem sou, sem tirar nem pôr.

Não tenho como saber se as promessas que 2007 indicam em parte do meu horizonte vão se cumprir, mas pela primeira vez na vida tenho uma sensação extremamente positiva numa época em que tudo quase sempre me soa desagradável. Penso que esta pode ser uma ótima forma de iniciar o ano. Eu não poderia desejar mesmo nada mais estimulante.

Tenho uma teoria: quase sempre a gente sabe — ainda que não queira admitir — quando está prestes a se meter em confusão. E o que esta “advertência” deveria significar? Para os sensatos, meia-volta volver, vade retro, ou algo similar. Para os outros… bem, pago pra ver.  

Acredito ser, hoje, uma pessoa tranqüila, equilibrada, tendendo mais para o racional que para o emocional. Não vejo esta “postura” como algo exemplar, mas foi a que, naturalmente, acabei adotando ao longo da minha existência — e isso não me faz melhor ou pior do que ninguém. Assim sendo, segundo minha teoria, eu deveria me comportar como alguém sensato. Só que estou farto da sensatez, de me portar previsivelmente, de racionalizar tudo o que me cerca!… Se já estou velho demais para me “rebelar”? Ao contrário: acho que, depois de tanto tempo, chegou a hora de ousar, de experimentar, de arriscar… afinal, temos uma única vida! — o que vale tanto para preservá-la como para aproveitá-la. 

Eu estava quieto no meu canto, como sempre, e acreditava que o “demônio” já houvesse desistido de mim. Total engano. A tentação começa a fechar seu cerco, e é impressionante como ela pode ser eficaz, ainda que não se “revele” inteiramente. Na verdade, não provoquei coisa alguma — pelo menos não que eu me lembre —, mas estou sendo instigantemente provocado. O que não deixa de ser uma espécie de teste para mim mesmo: resistindo ou cedendo. E eu não vou resistir. Certas oportunidades não podemos deixar passar, ainda que nos arrependamos mais tarde.  O inconveniente das teorias é que elas podem estar erradas. E a única forma de comprová-las é colocando-as em prática: experiências concretas não dão margem a equívocos, só a certezas. Seria esta mais uma teoria? 

A vida é mesmo um jogo curioso… Quando a gente pensa que todas as cartas já estão na mesa, eis que cai uma outra de alguma manga insuspeita…  Trapaça ou não, o jogo ainda pode ser virado. Vou pagar pra ver.