Uma experiência. Uma experiência que, por pior que fosse, me forneceria elementos bastante úteis para meu intento — que ainda não posso revelar, embora não seja muito difícil adivinhar (sim, eu gosto de enigmas). Foi assim que pensei quando decidi me aventurar por mundos não totalmente desconhecidos, mas há muito deixados para trás. E a retomada se deu de um modo relativamente novo, o que não deixou de ser motivo de estímulo. Fui preconceituoso, admito. Pior, pretensioso, achando que já sabia exatamente o que iria encontrar (será que nunca vou aprender?). Mas foi bom ter entrado no experimento com essa idéia equivocada, pois a surpresa diante do que pude constatar fez com que eu mudasse significativamente o curso da jornada que eu acreditava banal.

Espantoso como num espaço teoricamente desprezível é possível encontrar pérolas de qualidade — que os porcos obviamente nem reparam, tão preocupados em chafurdar. Como não sou porco, consegui perceber vários pontos cintilantes em meio à lama. Li em algum lugar que as pérolas só se mantêm bonitas (depois de removidas das respectivas conchas) quando em contato com a pele humana. Sem isso, perdem o viço, ficam opacas, se deterioram. Procurando fazer uma analogia, o contato humano não precisa ser necessariamente cutâneo (embora nada impossibilite tal coisa), mas se as pérolas falam é preciso que alguém as ouça — e os porcos, além de cegos, são surdos. 

A “coleta” (que outro nome?) dessas preciosidades perdidas requer um trabalho delicado, dedicado. É preciso ter passos cautelosos para não atolar no lamaçal. Uma experiência que de transmutou em outra, bem mais interessante, porque inesperada. Posso até continuar sendo pretensioso em me julgar capaz de tarefa tão exigente, mas eu consegui ouvir alguns apelos luminosos — não seria este um sinal, um indício de que talvez posso ajudar? Penso que sim. Eu ouço e quero continuar a ouvir o que as pérolas têm a me dizer, quero oferecer meu contato humano (cutâneo também, quem sabe?) para que elas continuem a brilhar, para que não se apaguem perdidas no abandono de um lugar indevido… É, talvez eu seja mesmo muito pretensioso… ou então patético (o que é quase certo). O que sei é que os enigmas me intrigam, instigam, seduzem… sobretudo quando necessito exercitar áreas pouco utilizadas em mim mesmo para decifrá-los. Nada me soa mais estimulante nesse momento.

É muito provável que os visitantes assíduos deste blog não estejam entendendo nada. Lamento, mas talvez eu esteja escrevendo apenas para mim mesmo — o que não deveria merecer publicação, e também comentários, reconheço. Encarem como uma espécie de “fase inicial”, e que por isso requer maior atenção de minha parte. Não devo demorar muito para voltar ao normal. Se bem que o normal é sempre tão previsível!…