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padronagens.wordpress.com

Já tive um blog no qual publiquei somente os desenhos das estampas que eu criava. Na época, creio que essa intenção acabou adquirindo — sem que eu o previsse, claro — o caráter de novidade, pois cheguei até a “ganhar” um post no DRAWN! (o mais importante blog de design do mundo) comentando minha idéia criativa. Para meu total espanto, cheguei a ter mais de 3.000 visitas num só dia.

Mas o tempo passou, minhas padronagens já não são novidade e o site antigo estava mais do que ultrapassado (em vários sentidos). Assim sendo, resolvi abrir um novo blog para republicar “minha arte”. Aproveitei para fotografar umas “bandeiras” (grandes retalhos de tecido impresso) a fim de mostrar o resultado concreto do trabalho. Procurei dispor as imagens num formato compacto e mais interessante para evidenciar as mini-coleções, quando for o caso.

Quem tiver curiosidade, poderá ver o que andei desenhando através do link abaixo:

http://padronagens.wordpress.com

Para quem ainda não sabe, entre outras atividades, também sou desenhista de padronagens. Aprendi este ofício na prática, quando trabalhei numa multinacional fabricante de material plástico. Na época (1989), como não existiam computadores, tudo tinha de ser feito a mão, com lápis, tintas e pincéis — não faz tanto tempo assim, mas ao lembrar isso me sinto meio jurássico.
Ainda que minha formação universitária tenha me conferido o diploma de Bacharel em Paisagismo, os 4 anos que passei desenhando na Escola de Belas Artes da UFRJ me deram uma base sólida o bastante para que eu me “aventurasse”, sem experiência alguma, no mundo das estampas e padrões.

Familiarizar-me com um universo até então desconhecido não foi tão complicado como imaginei a princípio, e não demorei muito a dominar as técnicas necessárias para ocupar eficazmente o cargo que consegui na fábrica — graças a ter me saído tão bem num teste “dificílimo” (pelo menos foi assim que a pessoa que me monitorou o classificou) que nem precisei concluí-lo. Na verdade, depois que vi os primeiros resultados do meu trabalho impresso fiquei tão entusiasmado que meu interesse pelo ofício e por descobrir e criar novas fórmulas de rapport (módulo de repetição) fez com que eu me dedicasse com afinco ao horizonte praticamente ilimitado que se estendia diante de mim. Assim, trabalhei satisfeito durante quase 4 anos nessa empresa — lamentavelmente, no fim deste período todo o setor de Marketing foi extinto, e com ele o Departamento de Criação no qual eu trabalhava.

Tive outros empregos (sempre relacionados, de algum modo, ao “desenho”) depois disso, e, como toda pessoa que quer continuar no mercado de trabalho, precisei adquirir conhecimentos de computação gráfica — imprescindível hoje em dia. Mais uma vez, não foi uma tarefa demasiado complicada, sobretudo levando-se em conta que nunca fiz curso algum — desagradável mesmo é ter que estar sempre atualizado: como é cansativo! Curiosamente, durante um bom tempo (nos meus outros trabalhos) esqueci quase por completo a existência de estampas e padrões.

Até que em 2003, lendo um anúncio no jornal que “recrutava” desenhistas de padronagem — e estando sem trabalho fixo —, acabei enviando meu currículo. Não se tratava de um emprego, mas de um projeto que me pareceu muito interessante: formar um grupo de desenhistas especializados em design de superfície a fim de desenvolver um trabalho tão diverso e rico quanto à cultura brasileira. Apesar da intenção ambiciosa e muito pouco garantida em termos financeiros, aceitei participar da empreitada. Aliando o que eu já sabia ao que aprendi sobre programas de computador (e também à experiência acumulada ao longo dos anos), o resultado, além de rápido e prático, me pareceu bastante agradável. A coordenadora do grupo de designers achou o mesmo. Assim, criamos uma grande coleção tendo o Brasil como tema — já que, na época, ele estava na moda. A intenção do projeto era oferecer as estampas a compradores aqui mesmo no Brasil. Entretanto, não demoramos a perceber que o Brasil não comprava o Brasil. Ou seja, o que “funcionava” aqui eram os padrões estrangeiros/importados simplesmente copiados ou, quando muito, adaptados à nossa realidade. Foi necessário mudar de estratégia e, já que o Brasil só era moda no exterior, buscar o mercado internacional — e assim, ironicamente, aderirmos ao “sistema nacional” só que às avessas. Uma missão nada simples e muito dispendiosa. Chegamos a participar de uma feira de tecelagem em Nova York (na qual vendi um padrão), mas os custos para continuarmos em tais eventos se mostraram muito além das possibilidades do grupo. Ainda conseguimos uma agente em NY, que durante algum tempo ficou com nosso acervo, mas aos poucos tudo foi se desfazendo, e cada designer se voltou para outros projetos.

Então, no começo deste mês, recebi um e-mail da agente de NY, que agora vive em Londres, perguntando se eu não estaria interessado em enviar algumas de minhas estampas para que ela mostrasse aos seus clientes (Victoria’s Secret, Dickies, Le Sportsac…). Aceitei o convite, e enviei cerca de 20 padronagens, que a própria agente escolheu no meu, digamos, catálogo. Para minha surpresa — e contentamento! —, em menos de 10 dias já tive uma estampa vendida! E pelo que disse minha agente existem alguns clientes interessados em outras. Estimulado, só me resta esperar que meu trabalho tenha boa aceitação, e que Londres me dê mais sorte que NY…

Abaixo, algumas de minhas padronagens:

padronagens