auto-propaganda


fotografia.jpg

Ganhei minha primeira câmera fotográfica em 1970. Ainda que não me lembre, acredito que devo ter manifestado algum interesse pelo hobby desde cedo, pois minha mãe não compraria a máquina desnecessariamente. Na verdade, a câmera — um trambolho de plástico preto da marca Tuka — pertencia a mim e ao meu irmão, mas como ele nunca teve muito interesse pela máquina e pelas fotos feitas com ela, eu a considerava como somente minha. Evidente que aos 7 anos minhas fotografias se resumiam a um monte de imagens tremidas e cheias de dedos esquecidos na frente da lente, mas eu me lembro de achar a experiência bastante divertida — algumas dessas fotos existem até hoje, e me fazem rir um bocado quando as revejo.

Algum tempo depois, “evoluímos” para uma câmera Xereta, bem mais compacta e fácil de operar — a máquina anterior tinha um enorme botão vermelho tão duro de apertar que era praticamente impossível não fazer a câmera tremer na hora do clique. É claro que as imagens produzidas Xereta não tinham boa qualidade, mas as fotos, quando comparadas com as da outra máquina, pareciam muito superiores. As imagens tremidas e com dedos aparecendo inadvertidamente foram diminuindo à medida que eu praticava, mas, na época, eu não tinha nenhuma pretensão além de me divertir registrando momentos que considerava interessantes (mesmo que não o fossem de fato).

Durante toda a minha adolescência a tal câmera Xereta satisfez plenamente meus “desejos fotográficos”. Aliás, eu sequer imaginava que existissem câmeras com mais recursos e que produzissem fotos melhores. Quer dizer, eu sabia que existia equipamento profissional, mas sabia também que aquilo não era para mim, pois devia ser tudo caríssimo.

Só na faculdade, observando as fotos de alguns amigos de turma, “descobri” que minhas fotos não tinham qualidade alguma. Fiquei sabendo também que havia câmeras razoáveis que não custavam uma fortuna. Em todo caso, na época, não pensei em comprar uma câmera nova. Inclusive, tive a audácia de ilustrar um trabalho sobre botânica feito com minha Xereta, com a qual, aliás, fiz fotos bem mais bonitas do que alguns alunos que tinham “equipamento”. Com essa episódio aprendi uma coisa que considero muito importante: é inútil ter uma boa câmera se o “fotógrafo” não tiver um bom olhar. Minhas fotos tiradas no jardim botânico agradaram tanto que houve até quem me pedisse emprestado os negativos.

Depois disso ainda fiz muitas fotos com a Xereta, mas, pouco a pouco, fui me rendendo aos encantos da Canon de uma amiga, que vivia me emprestando a câmera. E eu me deliciava com as fotos “incríveis” que a máquina proporcionava — de uma nitidez espantosa! Eu não podia mais ignorar que tudo sempre fica obsoleto em certo momento. Não dava mais para continuar com uma “camerazinha” sabendo da existência de algo incomparavelmente melhor. Eu precisava ter um daqueles objetos maravilhosos com os quais era possível registrar belezas.

Mas demorou até que houvesse um motivo forte o bastaste para justificar a compra de uma câmera mais, digamos, “profissional”. Só pouco antes da minha primeira viagem a Europa, em 1995, decidi que valia a pena ter uma máquina com mais recursos. Assim comprei uma Zenit 12XP, que não era tão boa quanto outras marcas, mas era infinitamente melhor que a Xereta — e tinha um preço que eu podia pagar. Foi bom eu ter podido usar a máquina da minha amiga emprestada, pois isso tornou menos complicado o manejo da minha nova câmera analógica. Bom também ter me formado na Escola de Belas Artes, pois isso me dava um “conhecimento estético” que eu podia aplicar facilmente às minhas experiências fotográficas. Nos dois meses que passei na Europa não houve um só dia em que eu não tivesse tirado uma foto — resultado: mais de 1500 imagens (numa época em que isso significava uma grande quantidade). Foi uma experiência duplamente interessante: poder visitar lugares que eu só conhecia através de fotos, e fazer eu mesmo o registro das cenas que considerava significativas. Evidente que muitas imagens não ficaram boas, já que, nesse tempo, a gente só sabia ao certo o resultado do clique depois de revelado o filme, mas considerei cerca de 1000 fotos dignas de preencherem os álbuns que acabei montando quando voltei.

Minha Zenit me satisfez plenamente durante 10 anos, mas como tudo fica obsoleto, em 2005 comprei minha primeira câmera digital, uma Sony Cybershot DSC-P200 (que, dadas as devidas proporções, não deixava de ser uma espécie de “Xereta” dos tempos modernos — já que é compacta e bastante simples de manusear — só que com imagens de boa qualidade). Eu deveria ter comprado uma câmera digital com mais recursos (como a minha antiga analógica), mas pensei que me familiarizar com uma “câmera simples” talvez fosse interessante antes disso — e depois, as máquinas profissionais são, evidentemente, muito mais caras que as “Xeretas modernas”.

Não me decepcionei. Ao contrário, fiquei surpreso com os resultados que obtive desde os primeiros cliques. Tudo tão prático! — o modo automático faz todos os ajustes necessários. A praticidade (e economia!) em poder observar o que se fotografou imediatamente após o clique me estimulou a tentar novos experimentos, inserindo fundos de cor e usando fontes de luz complementares a fim de que meus “modelos” (flores, frutas, objetos…) tivessem seus melhores ângulos ressaltados. Tudo isso muito “improvisado”, feito com papel colorido e luminárias baratas utilizando o assento e o encosto sofá como suportes. Achei tão interessante o resultado das minhas experiências que me animei a publicá-las no Flickr. Minhas fotos não demoraram a ter boa aceitação, ainda que todos ali, de certo modo, estejam no mesmo barco. Mas quando a gente começa a receber gratuitamente elogios de pessoas experientes — e com trabalhos belíssimos — creio que algum valor deve ter sido percebido. Alguns amigos pessoais também gostaram do que andei fotografando, e perguntaram por que eu não tentava fazer contato com bancos de imagem. Sinceramente, eu nunca havia pensado nas minhas fotos em termos comerciais — eram apenas meus experimentos, nada mais —, e estava certo de que não sendo profissional e não tendo equipamento meus “estudos” não tinham a menor chance de interessar a um banco de imagem. Mas o que custava tentar? O máximo que poderia acontecer era me dizerem “não”. Enviei e-mails a 3 bancos de imagem nacionais dizendo que se algumas de minhas fotos lhes interessassem eu gostaria de comercializá-las. Apenas um me respondeu, informando que apesar de ter gostado muito do meu trabalho eles não viam como encaixar minhas fotos no acervo da empresa (mais voltado para temas como: turismo, tecnologia, pessoas…). Acrescentaram que se eu fizesse fotos explorando os temas do acervo talvez até eles aceitassem algumas. Nada contra temas específicos, mas eu queria continuar fotografando os temas que me agradam e com os quais me sinto familiarizado, coisas simples e que não exigem grandes produções ou equipamento. É claro que eu gostaria de viajar fazendo fotos que pudessem se enquadrar na categoria “turismo”, mas isso exigiria um investimento fora de questão para mim. Desse modo, não pensei mais no assunto e continuei fazendo fotos por prazer.

Curiosamente, pouco tempo depois do episódio dos bancos de imagem nacionais, recebi o e-mail de um banco de imagens espanhol. Eles haviam visto minhas fotos no Flickr, e queriam saber se eu não estaria interessado em ser um dos fotógrafos colaboradores deles, pois tinham achado meu trabajo fotográfico muy interesante. Surpreso com o convite, com o elogio e também por ser o primeiro brasileiro a integrar a equipe de espanhóis aceitei, lisonjeado, a proposta. Assim, desde setembro de 2007 estou dispondo minhas fotos (ou experiências) no acervo do Banco de Imágenes de Andalucia, que, pelo visto, pretende ampliar os horizontes muito além da bela região espanhola. Esta é a minha mais nova vertente de “carreira internacional”. Não sei ainda no que isso vai dar, mas não deixa de ser muy interesante (pelo menos para mim) ter meu trabalho, de certo modo, “reconhecido” internacionalmente.

Para ver minhas fotos em Andalucia Imagen clique no banner abaixo:


Banco de imágenes

Anúncios

padronagens.wordpress.com

Já tive um blog no qual publiquei somente os desenhos das estampas que eu criava. Na época, creio que essa intenção acabou adquirindo — sem que eu o previsse, claro — o caráter de novidade, pois cheguei até a “ganhar” um post no DRAWN! (o mais importante blog de design do mundo) comentando minha idéia criativa. Para meu total espanto, cheguei a ter mais de 3.000 visitas num só dia.

Mas o tempo passou, minhas padronagens já não são novidade e o site antigo estava mais do que ultrapassado (em vários sentidos). Assim sendo, resolvi abrir um novo blog para republicar “minha arte”. Aproveitei para fotografar umas “bandeiras” (grandes retalhos de tecido impresso) a fim de mostrar o resultado concreto do trabalho. Procurei dispor as imagens num formato compacto e mais interessante para evidenciar as mini-coleções, quando for o caso.

Quem tiver curiosidade, poderá ver o que andei desenhando através do link abaixo:

http://padronagens.wordpress.com

estatisticas.jpg

Este blog possui um sistema de estatísticas que indica como alguns visitantes chegam até aqui (por meio de palavras ou frases-chave), e também quais foram os posts mais lidos. Preciso admitir que esses dados geralmente me deixam curioso e, às vezes, bastante intrigado. Todo blogueiro deve saber que, como os textos cedo ou tarde acabam indo parar nos mecanismos de busca, é muito fácil receber visitantes inadvertidos — que procuravam qualquer coisa, menos o assunto do post em questão. Deixando os desavisados de lado, observo que, de certo modo, os blogs também podem ser considerados como uma espécie de “serviço de utilidade pública” — dependendo do teor dos textos, obviamente.
Assim, levando em conta os sete meses de existência do hebdomadário, os 26 posts publicados e as mais de 4.300 visualizações cheguei às seguintes conclusões:


  • A correspondência — ou melhor, a troca de cartas escritas em papel — parece despertar ainda hoje algum interesse (mera curiosidade “histórica”?) — 64 visitantes

  • As diferenças entre o real e o imaginário (ou entre autores e personagens) seduzem um número razoável de pessoas — 66 visitantes

  • Os garotos de programa e/ou prostituição masculina atraem gente mais em busca de imagens do que de palavras, logicamente. Ainda assim, se o texto (imenso) foi inteiramente lido, creio que tal fato se deva a certa curiosidade: revelariam minhas palavras alguma obscenidade? (os que vieram atrás disso devem ter ficado bastante frustrados…) — 70 visitantes

  • Os castelos do Vale do Loire, sobretudo Chambord, parecem fazer parte do roteiro de viagem de muitos turistas (brasileiros, suponho). Desde que o post foi publicado ele tem recebido visitas quase diárias — 72 visitantes

  • A questão da infância & leitura parece interessar a um número bastante significativo de leitores(?). Levando-se em conta que este post foi publicado na semana passada, não deixa de ser um percentual expressivo. Muitos visitantes chegaram até ele procurando por resumos dos livros de José de Alencar (sinal de que o autor — por incrível que pareça! — ainda hoje deve ser o “terror” de muitos alunos). Aliás, a busca pelos tais resumos me deixou surpreso: nunca pensei que o horror às leituras obrigatórias chegasse a tanto! Pelo visto, a leitura nas escolas e universidades(?) nunca esteve tão desprestigiada. Uma pena!… — 79 visitantes

  • As pessoas parecem ter interesse (ou curiosidade) sobre descobertas recentes (mesmo que elas sejam pequenas e extremamente pessoais) — 83 visitantes

  • Londres deve mesmo ser uma cidade muito interessante. Eu ainda não a conheço, mas meus desenhos sim. Quem sabe um dia?… A maioria dos leitores deste post veio por causa da cidade em si e não por conta de minhas padronagens — 101 visitantes

  • A grafologia, para minha surpresa, é a segunda colocada no ranking dos posts mais lidos no meu blog. Eu não falei exatamente sobre o tema, mas apenas da minha relação pessoal com um tipo de teste barato e seu curioso resultado128 visitantes

  • Em primeiro lugar (e não menos surpreendente para mim) está o post mencionando um tipo de futilidade masculina: o ato de fazer a barba e suas possíveis variantes. Confesso que nunca pensei que fosse ter um texto, digamos, tão “popular”. O número de leitores (creio que a maioria do sexo masculino) ainda me impressiona: não há um só dia em que o post não seja lido (geralmente mais de uma vez por dia!). Sinal de que fazer a barba, e suas conseqüências, ainda aflige muitos homens. No texto, não prometo solução de problemas, apenas conto (de forma humorada, creio) as peripécias que já fiz em busca de um sistema que me ajudasse a ficar livre dos tais pêlos. Curiosamente, tendo em vista as palavras e frases-chave usadas, verifico que um número considerável de rapazes(?) deseja saber qual o método mais eficaz de acabar com esse “transtorno”. As dúvidas sobre o funcionamento do barbeador elétrico, bem como sobre a utilidade da pedra ume, são constantes. Observei também que um número significativo de leitores provém de Portugal (o que me faz crer que este deve ser um “problema” relevante para os jovens d’além mar) — 473 visitantes

Ainda que estas estatísticas não sejam muito confiáveis, acho interessante saber que, de algum modo, minhas impressões pessoais sobre assuntos variados podem estar tendo alguma utilidade para certas pessoas. Na verdade, esta nunca foi minha intenção. Não escrevo posts visando necessariamente determinado público, mas não posso evitar que isso aconteça. Antes de tudo, escrevo para me expressar, para (talvez) tentar entender um tema visto de outro ângulo, para dizer o que penso e (talvez) descobrir o que pensam os outros sobre um assunto. Escrevo porque isso me parece uma forma de existir, porque (no fundo) sou vaidoso, porque acho que tenho algum jeito com a coisa. Escrevo porque gosto.
Se meus escritos servirem a outrem de alguma forma (seja ela qual for), ficarei duplamente satisfeito, já que para mim eles sempre servem para algo — ainda que, às vezes, eu só o descubra bem mais tarde.