setembro 2007


inconfundvel

Gostei dos seus músculos… tá cobrando quanto? | Quarenta. | Pago vinte, vai? | O quê!? | Tá bom, tá bom, trinta, mas a gente racha o motel. | Fechado.

No quarto quente cheirando a orgasmos, agarrou o garoto parrudo, arrancou-lhe a camiseta surrada num puxão. Deteve-se admirando a musculatura do outro brilhando nos reflexos do néon vindos da rua. A boca salivando. Lambeu o bíceps direito, escorregou a língua pelo antebraço, deliciou-se com a mão inteira, enorme, vigorosa, dedos grossos, rombudos. Pediu um tapa, bem forte, bem dado, mas só com a direita, sempre. O michê riu, adivinhando a tara do tipinho, inconfundível. Bateu com força, o outro cambaleou. Mais forte, sem pena! Outro tapa, Isso!, e outro, Bate!, e outro, Vai!, um soco, Assim!, um murro, Me arrebenta!… Empolgou-se, e bateu tanto no cliente insaciável que pensou tê-lo apagado. Aproximou-se do corpo inerte. Na cama, gemendo baixinho, o rosto meio desfigurado, a boca sorria, extasiada, um fio vermelho escorria tingindo a fronha encardida. Mil vezes melhor que sexo, orgasmo explosivo sob os golpes, com roupa e tudo, como nunca, a melhor vez de todas. Abriu os olhos, inchados. Pegou o punho direito do musculoso e começou a beijá-lo, grato por tanto prazer. Vontade de ter para si, e para sempre, aquele braço potente, aquela mão pesada, dedos de soco-inglês…

E aí, gostou?, chega ou quer mais? | Eu quero mais: agora com as duas mãos!

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Escrevi o miniconto atendendo à solicitação de um amigo virtual, que desafiou a mim e a outras pessoas “metidas a escritor” a criarem textos curtos, de no máximo três parágrafos (e em três dias), sobre o tema SPANK ME. Na ocasião (maio de 2005), os textos selecionados — o meu, inclusive —foram publicados numa revista literária virtual, agora extinta, chamada PATIFE

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café

Desde muito pequeno sempre gostei de tomar café. Se não estou enganado, devo ter começado tal “hábito” por volta dos 6 ou 7 anos, quando enchia um copo até quase a boca de café preto sem um pingo de leite e sorvia-o com prazer enquanto mastigava pão com manteiga. Nunca fui muito apreciador de leite — ao contrário do meu irmão, que enchia o copo quase até a boca do líquido branco sem um pingo de café (que ele sempre detestou) e sorvia-o com semelhante satisfação. Por conta dessa particularidade — eu só gostar de café e meu irmão só gostar de leite — os adultos atribuíam (brincando, claro) a tal gosto o fato de eu ser moreno e meu irmão ser loiro. Ainda criança, durante algum tempo acreditei mesmo nessa possibilidade.

Mas nunca fui um apreciador compulsivo de café, e jamais, em momento algum desde que comecei a tomá-lo, senti qualquer espécie de necessidade urgente quando privado da bebida por certos períodos. Aliás, depois da “descoberta” do mate, quando adolescente, o café praticamente caiu no esquecimento — já que o mate gelado parecia combinar bem mais com o calor inclemente que faz no Rio. Além disso, após da “descoberta” do chá, um pouco mais tarde, o café foi relegado a ocasiões bastante esporádicas — eu poderia mesmo dizer quase inexistentes.

Mais de 30 anos se passaram, e, pouco a pouco, o café foi reconquistando seu lugar na minha vida. Com o tempo, acabei adotando uma prática que não só me satisfaz como agrada plenamente: no verão, mate ou chá gelado; no inverno (ou no que deveria sê-lo), café puro ou café com leite — incluindo cappuccino e cia — e também chá quente. Assim, alternando bebidas geladas e quentes e variando pães, queijos e geléias, a “hora do café” sempre me pareceu um dos momentos mais agradáveis do meu dia.

Recentemente, aproveitando a temperatura mais amena que deveria corresponder ao inverno, achei que já estava na hora de voltar a tomar café. Querendo ser prático — e também para obter um café com leite menos aguado —, me ocorreu misturar café solúvel ao leite. Aliás, eu já havia usado essa “técnica” anteriormente e tudo me pareceu bastante satisfatório. É certo que os puristas (e/ou baristas) não considerem café solúvel como CAFÉ propriamente dito, mas nunca fui muito exigente neste aspecto: basta ter aroma e gosto de café que já fico contente.

Só que desta vez algo inusitado aconteceu. Depois de um curto tempo fazendo uso do café solúvel — a mesma marca que sempre consumi — no leite, e também do chá quente, alternadamente, não demorei a constatar uma coisa muito estranha: os dias em que eu tomava chá eram sucedidos por manhãs de intensa dor de cabeça — dores sem explicação alguma, e que passavam imediatamente quando eu tomava café (e nem precisava ser café solúvel). Tão surpreso quanto intrigado, fiz e refiz o “teste”: nos dias em que tomei café, as manhãs seguintes foram normais, sem dor de cabeça alguma; nos dias em que tomei chá, dores fortíssimas pela manhã. Jamais pensei que tal coisa fosse possível, pior ainda: que eu seria vítima dessa estranheza. A menos que uma incrível coincidência esteja acontecendo juntamente com o “teste” (coincidência que me parece inconcebível), atribuo ao café solúvel este episódio desagradável. O mais estranho é que sempre consumi a mesma marca do tal café e isso nunca havia acontecido — uma marca supostamente bastante confiável, tradicional e respeitável. Terão mudado a fórmula do… café? Terão incluído algum novo componente ao produto? — o rótulo não informa nada além de “não contém glúten”. Alguém já ouviu falar em algo parecido com essa espécie de dependência?

Na verdade, não me sinto realmente “dependente” do café solúvel, mas como não gosto de acordar pela manhã com a cabeça latejando terrivelmente e parecendo pesar mil toneladas, admito que tenho procurado fazer uso dele na parte da tarde. Venho mudando gradativamente para o café não solúvel — já que ele parece surtir o mesmo efeito “preventivo” —, a fim de ver se me livro do inconveniente. Se alguém souber de um “antídoto” ficarei imensamente grato.

Sem idéia do que publicar aqui e bastante ocupado com uma nova vertente de “carreira internacional” — que revelarei oportunamente. Ocupado também com os “bicos sazonais” que faço em troca de um dinheirinho — e que não revelarei. Afinal, para gastar é preciso antes ganhar, e os orçamentos que dei no fim do mês passado não foram respondidos — o que significa que a resposta é “não”. Assim, nesta semana apenas um post-enrolação, só para não dizer que não publiquei nada: já que fui inventar essa história de publicar algo a cada sete dias…