Eu já deveria estar habituado, já que é algo tão freqüente, mas não tem jeito: a falta de educação, ou ausência de gentileza, de algumas pessoas sempre me deixa impressionado — mal impressionado, para ser mais preciso.
Não sei se esse tipo de comportamento é reflexo dos tempos atuais, se é uma questão de pouca instrução, se está mais ligado aos jovens (que consideram quase tudo como “pagar mico”), ou ainda se é uma soma desses fatores, o que sei é que por mais que eu procure não dar importância ao fato ele invariavelmente me incomoda. E talvez me incomode porque fico sempre com a impressão de, ao tentar ser gentil com certas pessoas, ter perdido meu tempo com quem não merecia. Serei tão exigente assim? Não: um simples “obrigado” resolveria tudo.

Não sou uma pessoa pública, e isso é mais do que óbvio. Mas blogs, sites, comunidades e congêneres, de certo modo, podem fazer com que seus autores “desconhecidos” fiquem em evidência, dependendo do que escrevam, fotografem, desenhem, etc. — e dependendo também dos tais buscadores. Neste post vou me ater apenas ao chamado “mundo virtual”, muito embora no “mundo real” tais atitudes também ocorram em proporções alarmantes.

É verdade que meu nome está associado a alguns blogs, sites & cia., mas isso, teoricamente, não significa que estou à disposição de qualquer um para responder perguntas, dar conselhos, fornecer informações, ministrar aulas e outras coisas mais, como se fossem “obrigações” (gratuitas) às quais eu estivesse firmemente atrelado.

Entretanto, sempre que recebo um e-mail de alguém pedindo algum tipo de “auxílio”, se tenho condições de ajudar, faço-o de bom grado. Do contrário, me desculpo educadamente dizendo os motivos de não poder auxiliar.
Dos que não tenho como ajudar não costumo esperar nenhum retorno, já que minha resposta negativa, mesmo justificada e sempre cordial, deve frustrar suas expectativas — o que, em todo caso, não seria motivo para deixar de agradecer (sempre agradeço a quem não pode me auxiliar quando quem solicitou a ajuda fui eu). Mas acho espantoso que justamente aqueles a quem consigo auxiliar de algum modo sequer me enviem uma mensagem agradecendo a gentileza que tive em dedicar parte do meu tempo a elaborar uma lista de livros da autora X e indicar locais onde poderiam ser encontrados; de fornecer informações sobre o ofício de desenhista de padronagens e como conseguir agente no exterior; de enviar pesquisas pessoais sobre este ou aquele tema…

Isso não significa que eu não goste de ajudar a quem quer que seja, muito pelo contrário. Que fique claro: se o pedido estiver ao meu alcance faço-o com prazer! Mas meu prazer seria ainda maior se eu soubesse que minha ajuda teve realmente alguma importância para quem a pediu. E, neste caso, um mero “obrigado” — palavra bem mais curta do que a mensagem inicial contendo o pedido — seria suficiente, e me daria a certeza de que não desperdicei meu tempo. Será que a educação saiu de moda?

Não é por causa dos mal-agradecidos que deixarei de ser gentil. Não vou me transformar em alguém parecido com quem me incomoda. Mas enquanto existir gente ingrata me solicitando auxílio não poderei deixar de me espantar com suas atitudes nada corteses. Muito provavelmente este texto não resolverá a situação, mas não custa registrar aqui de forma geral o que seria inútil fazer de forma particular.
Quem disse que gentileza gera gentileza foi demasiado otimista: isso nem sempre acontece.

Anúncios