Para quem ainda não sabe tenho um livro publicado. Não, não se trata do meu romance virtual, mas de um livro no formato convencional, impresso em papel. Fui um dos 40 selecionados no primeiro concurso Contos do Rio, em 2003, e isso fez com que meu conto fosse publicado pela Bom Texto Editora, em 2005. Assim, quem ainda não sabia disso, não deve também ter lido o post que escrevi (na época) sobre minha “noite de autógrafos” — e dos outros 39 selecionados também, claro. Então, mais uma reprise:

Contos do Rio

Fui pontual, como de costume. Tudo bastante organizado e muito parecido com o que eu tinha imaginado. Entretanto, naquele momento em que poucos haviam chegado, pensei que a noite seria longa e, de certo modo, um tanto “desconfortável” para quem, como eu, não é muito adepto de grandes aglomerações. Procurei o banner com o meu nome e sentei à mesa a mim destinada, que seria dividida com outro autor. A idéia original devia ser mesmo economia de espaço, mas não deixava de ser interessante a possibilidade de fazer com que os autores — quase que ainda totalmente estranhos uns aos outros — se conhecessem um pouco mais. Na minha mesa não deu certo, e eu nem tive chance de puxar conversa com meu parceiro, que preferiu ficar de pé, junto dos amigos e da família — o que não me pareceu nada censurável. Por outro lado, conversei um pouco com o autor da mesa vizinha: lembrava bem do conto nada ortodoxo dele, e o achei bastante simpático.
Não demorou muito para que alguns dos meus amigos me encontrassem no ambiente já bastante cheio e movimentado, e desfizessem por completo a imagem (de desconforto) que eu havia esboçado mentalmente na chegada. Outros amigos não demoraram a se juntar a nós. Foi uma noite bastante divertida e agradável.

Contudo, não deixei de sentir certo estranhamento ao dar autógrafos. É que imaginei que o faria apenas para amigos e conhecidos, mas não: gente que eu nunca havia visto aparecia com o livro querendo algumas palavras escritas por mim, minha “assinatura”. Mais surpreendente ainda os que chegavam com o livro aberto na página do conto, dizendo que tinham gostado muito do meu texto, me desejando sucesso nos próximos livros. Na verdade, não foram muitos, mas para mim foi curioso saber que pessoas que eu não conhecia também apreciam meus escritos. É provável que existam outros, e esse número poderá aumentar agora com o livro, que não ficará restrito ao Rio de Janeiro. Aliás, o que me parece interessante é justamente mostrar ao restante do país o que acontece aqui nesta cidade em termos de escrita e de histórias. Isso não significa que os relatos tenham de ser necessariamente verídicos para ter valor, mas há sempre muita verdade (ou realidade) nas entrelinhas ficcionais.

No livro, com um projeto gráfico muito bom e uma bela capa, meu texto ocupou 3 páginas — o penúltimo conto, devido à ordem alfabética dos autores. Olho o título que escolhi para o conto que enviei ao concurso quase no último dia, meu nome abaixo dele… uma sensação esquisita me domina: nada mudou para mim em essência, continuo sendo eu mesmo, mas minhas palavras agora estão registradas, impressas num objeto que existe fisicamente, que poderá ser lido por outras pessoas, que poderá, talvez, durar bem mais que eu. Isso faz com que meu “eu” ganhe uma nova dimensão para mim mesmo: não deixa de ser uma forma de perpetuação, um modo de — ainda que mui modestamente — fazer parte da eternidade. Sensação bastante esquisita, mas que me deixa muito contente. 

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Para quem ainda não leu o conto, segue o link: CONDENADOS.

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