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“Para que serve um diário senão para que outros o leiam?”

Afirmação verdadeira, ainda que esses “outros” sejamos nós mesmos, algum tempo depois. Foi o que aconteceu comigo hoje. Remexendo gavetas, deparei não com um diário propriamente dito, mas com antigas anotações que eu fazia quando mais novo. Terei escrito o que reencontrei agora (mais de 20 anos depois) para mim mesmo? Por que guardei essa papelada? Escrita terapêutica. Frases rabiscadas com pressa, com raiva, com tristeza, com espanto… arsenal de sentimentos que pareciam à flor da pele. Quanto exagero, quantas lágrimas, quanto sofrimento, quanto desperdício de energia… e de tempo!
Mas tudo muito útil se eu levar em conta que posso emprestar essas sensações aos meus personagens.

Um alívio não ser mais quem já fui, não estar passando pelo que já passei, ter mudado. Nos meus escritos antigos, nada encontrei que fizesse alusão a momentos alegres e felizes — o que não significa que não tenham existido. Por isso atribuí ao amontoado de palavras propriedades curativas. Curei-me de diversas “enfermidades”, mas há sempre novas “moléstias” as quais ainda não somos imunes. Em todo caso, não tenho feito uso da escrita ultimamente como quando mais jovem — pelo menos não que eu saiba. Aliás, quando mais novo, eu não imaginava que o estivesse fazendo, não era algo premeditado. Ainda assim, minhas palavras passadas me intrigam. Não lembrava de um monte de coisas; de outras, ao contrário, lembrei com surpreendente nitidez. Memória seletiva. Não deve ser mesmo importante lembrar de TUDO, apenas do que interessa.

Impressionante observar que pessoas que eu considerava amigas sequer sei se ainda existem. O que terá acontecido com todos aqueles que, de certa forma, me ajudaram a ser o que sou hoje? Terão mesmo me ajudado? Alguns sim, por melhores (ou piores) que tenham sido. Talvez, para muitos deles eu também não passe de um “cadáver” em suas memórias…

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Admito: o post é antigo (pinçado do meu blog anterior), mas continua valendo até hoje.

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