adistanciaentrenos.jpg

Ambientado na Bombaim dos dias atuais, o romance da jornalista indiana Thrity Umrigar narra a comovente história de duas mulheres de classes e culturas diferentes, duas vidas totalmente distintas, mas dois destinos que poderiam ser um só. Patroa e empregada, Sera e Bhima estão indiscutivelmente ligadas, seja pelo silêncio ou pela cumplicidade. Ao mesmo tempo ambas encontram-se distantes, separadas por um abismo intransponível. O aparentemente sólido “vínculo” que as une, na verdade é tão frágil que uma palavra, um gesto tem o poder de decidir a sorte e a tragédia de uma e da outra. Duas existências marcadas pela decepção, pela traição e sacrifícios em meio a uma sociedade ainda bastante injusta para as mulheres, sejam elas ricas ou pobres. 

Sera Dubash é uma dona-de-casa de classe média alta cuja opulência da vida material esconde a vergonha e a desilusão de seu casamento violento. Viúva, ela se dedica à família e gasta quase todo o seu tempo cuidando da filha grávida e de seu atraente e bem-sucedido genro.
Bhima, analfabeta, favelada, resignada e endurecida por uma vida de sofrimentos e perdas trabalha na casa de Sera há mais de 20 anos. Acreditando-se amaldiçoada pelo destino, ela sacrifica tudo por sua neta, uma estudante universitária cuja educação — financiada pela patroa — lhes permitirá deixar o bairro miserável em que vivem. 

O livro revela de forma contundente como as vidas dos ricos e pobres estão intrinsecamente ligadas, ainda que afastadas entre si, e como essas existências podem ser definidas e modificadas pelas circunstâncias. Narrado na terceira pessoa, o romance nos faz penetrar intimamente no mundo das protagonistas que, num jogo assimétrico de espaço-tempo, pouco a pouco vão desvendando seu passado, suas experiências de vida e o modo como as dores humanas podem ultrapassar (ou não) divisões de classe e cultura. 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Ainda não havia comentado nenhum livro neste blog pela simples razão de não ter lido livro algum nos últimos meses: de tempos em tempos, o excesso de leitura me causa certa “indigestão”. Agora, livre do “sintoma”, e tendo a sorte e a esperança de encontrar bons livros, meu “apetite” se faz presente mais uma vez.

Anúncios