abril 2007


gavetas3.jpg

“Para que serve um diário senão para que outros o leiam?”

Afirmação verdadeira, ainda que esses “outros” sejamos nós mesmos, algum tempo depois. Foi o que aconteceu comigo hoje. Remexendo gavetas, deparei não com um diário propriamente dito, mas com antigas anotações que eu fazia quando mais novo. Terei escrito o que reencontrei agora (mais de 20 anos depois) para mim mesmo? Por que guardei essa papelada? Escrita terapêutica. Frases rabiscadas com pressa, com raiva, com tristeza, com espanto… arsenal de sentimentos que pareciam à flor da pele. Quanto exagero, quantas lágrimas, quanto sofrimento, quanto desperdício de energia… e de tempo!
Mas tudo muito útil se eu levar em conta que posso emprestar essas sensações aos meus personagens.

Um alívio não ser mais quem já fui, não estar passando pelo que já passei, ter mudado. Nos meus escritos antigos, nada encontrei que fizesse alusão a momentos alegres e felizes — o que não significa que não tenham existido. Por isso atribuí ao amontoado de palavras propriedades curativas. Curei-me de diversas “enfermidades”, mas há sempre novas “moléstias” as quais ainda não somos imunes. Em todo caso, não tenho feito uso da escrita ultimamente como quando mais jovem — pelo menos não que eu saiba. Aliás, quando mais novo, eu não imaginava que o estivesse fazendo, não era algo premeditado. Ainda assim, minhas palavras passadas me intrigam. Não lembrava de um monte de coisas; de outras, ao contrário, lembrei com surpreendente nitidez. Memória seletiva. Não deve ser mesmo importante lembrar de TUDO, apenas do que interessa.

Impressionante observar que pessoas que eu considerava amigas sequer sei se ainda existem. O que terá acontecido com todos aqueles que, de certa forma, me ajudaram a ser o que sou hoje? Terão mesmo me ajudado? Alguns sim, por melhores (ou piores) que tenham sido. Talvez, para muitos deles eu também não passe de um “cadáver” em suas memórias…

. . . . . . . . . . . . . . . .

Admito: o post é antigo (pinçado do meu blog anterior), mas continua valendo até hoje.

Anúncios

Tenho grande implicância com livros cujo desfecho não é direto o bastante para que se saiba exatamente o que aconteceu. Detesto livros que deixem a cargo do leitor imaginar o provável destino deste ou daquele personagem, ou de parte da história, ou mesmo dela como um todo. Para mim, este tipo de estratégia soa quase sempre como uma espécie de incompetência do autor: que não soube como terminar sua narrativa ou que não teve coragem de dizer o que pensava. Evidente que esta é uma visão extremamente pessoal (limitada?), e muitos poderão discordar, mas, como leitor e também autor (se posso me considerar como tal), acredito que um escritor precisa assumir sua história do princípio ao fim e levá-la às últimas conseqüências, sejam elas quais forem — afinal, Literatura também requer alguma coragem, já que não são apenas os personagens que estão em jogo, mas também o “criador” deles.

Recentemente, uma amiga que leu meu romance achou que um desfecho que permitisse ao leitor refletir sobre as (supostas) várias possibilidades dos personagens seria algo mais bem resolvido. Diferente de mim, ela prefere “viajar” nos finais e contribuir para a história com sua própria imaginação. Nada tenho contra isso, e acho até que talvez a maioria dos leitores prefira desfechos deste tipo. Porém, cartesiano que sou, me incomoda enormemente ter que “adivinhar” o que poderia ter acontecido, já que as possibilidades — dependendo da obra em questão — podem ser infinitas. E depois, se fosse para imaginar um final que me satisfizesse preferiria escrever eu mesmo a história! Não, quero uma história completa, sem que me caiba determinar o que aconteceu na trama idealizada por outrem. Como leitor, já me satisfaço imensamente usando minha imaginação para dar vida, cor, forma, textura, volume, etc. ao que meus olhos descobrem pouco a pouco.

Por isso, quando chegou a minha vez de narrar uma história — ainda que, a princípio, eu nem soubesse se conseguiria concluí-la — procurei ser bastante direto. Eu não queria que os “meus” leitores imaginassem várias possibilidades sobre o destino da protagonista, eu queria que eles soubessem o que aconteceu com Liz. Ainda assim, os mais “imaginativos” poderão (como ocorreu com 2 leitores) contestar ou duvidar do que, teoricamente, parece claro — o que não deixa de ser muito interessante, pois prova que nem mesmo o que soa conclusivo o é de fato.
Por outro lado, outra amiga e leitora, achou que deixei muito no ar o destino do protagonista, ela sentiu falta de saber o que poderia ter acontecido com Leon…
Como se sabe, é impossível agradar a todos — e jamais tive tal pretensão. O que ocorre é que todo livro termina em determinado ponto, o que se segue a partir daí, sim, cabe ao leitor imaginar se, evidentemente, ele achar necessário.

Este assunto (livros com finais indefinidos) ficou rondando meus pensamentos durante toda a semana por dois motivos: primeiro, pelo que disseram meus parcos leitores; e depois pelo livro que terminei de ler recentemente, mencionado no post anterior. Curiosa e coincidentemente A Distância Entre Nós desenvolve duas tramas paralelas e entrelaçadas, mas diferente de Os Malabaristas (meu romance), apenas uma das narrativas tem final definido (ou o que poderia sê-lo). Assim sendo, só se conhece, de fato, o desfecho de uma das protagonistas. E por que o “final parcial” desta vez não me incomodou?, pensei. Simplesmente por que não havia espaço para o outro fim, já que ele tiraria por completo a força do que foi apresentado. É verdade que eu tinha vontade de saber o que a autora teria imaginado para a personagem com a história em suspenso — sim, pois ela fica justamente em suspenso num ponto crucial. Mas, neste caso, é bem simples, como leitor, imaginar uma conclusão satisfatória (pelo menos para mim o foi). Certas estruturas narrativas, como esta de histórias paralelas, geralmente acabam limitando (ou amarrando) o autor, que nem sempre, por questões técnicas, pode concluir as duas histórias. Não foi o meu caso, e vejo que, de certo modo, apesar de atrelado à narrativa dupla, tive sorte. Na realidade, meu livro termina no penúltimo capítulo, mas o último, curtíssimo, não compromete o desfecho anterior, só o complementa — creio eu.

Pensando bem, talvez eu não seja implicante com livros de final indefinido. É provável que eu deteste tais livros apenas quando o desfecho “em aberto” não faça sentido.

adistanciaentrenos.jpg

Ambientado na Bombaim dos dias atuais, o romance da jornalista indiana Thrity Umrigar narra a comovente história de duas mulheres de classes e culturas diferentes, duas vidas totalmente distintas, mas dois destinos que poderiam ser um só. Patroa e empregada, Sera e Bhima estão indiscutivelmente ligadas, seja pelo silêncio ou pela cumplicidade. Ao mesmo tempo ambas encontram-se distantes, separadas por um abismo intransponível. O aparentemente sólido “vínculo” que as une, na verdade é tão frágil que uma palavra, um gesto tem o poder de decidir a sorte e a tragédia de uma e da outra. Duas existências marcadas pela decepção, pela traição e sacrifícios em meio a uma sociedade ainda bastante injusta para as mulheres, sejam elas ricas ou pobres. 

Sera Dubash é uma dona-de-casa de classe média alta cuja opulência da vida material esconde a vergonha e a desilusão de seu casamento violento. Viúva, ela se dedica à família e gasta quase todo o seu tempo cuidando da filha grávida e de seu atraente e bem-sucedido genro.
Bhima, analfabeta, favelada, resignada e endurecida por uma vida de sofrimentos e perdas trabalha na casa de Sera há mais de 20 anos. Acreditando-se amaldiçoada pelo destino, ela sacrifica tudo por sua neta, uma estudante universitária cuja educação — financiada pela patroa — lhes permitirá deixar o bairro miserável em que vivem. 

O livro revela de forma contundente como as vidas dos ricos e pobres estão intrinsecamente ligadas, ainda que afastadas entre si, e como essas existências podem ser definidas e modificadas pelas circunstâncias. Narrado na terceira pessoa, o romance nos faz penetrar intimamente no mundo das protagonistas que, num jogo assimétrico de espaço-tempo, pouco a pouco vão desvendando seu passado, suas experiências de vida e o modo como as dores humanas podem ultrapassar (ou não) divisões de classe e cultura. 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Ainda não havia comentado nenhum livro neste blog pela simples razão de não ter lido livro algum nos últimos meses: de tempos em tempos, o excesso de leitura me causa certa “indigestão”. Agora, livre do “sintoma”, e tendo a sorte e a esperança de encontrar bons livros, meu “apetite” se faz presente mais uma vez.

aparencias.jpg

O stand, dadas as devidas proporções, era um dos mais bonitos da FENATEC em 1992. Não era pra menos: o marido da nossa “chefe” era dono de uma montadora e, com o projeto criado e supervisionado pela esposa, ele não poupou esforços, nem material, para que tudo ficasse de “nível internacional” — e o conseguiu: até tulipas naturais plantadas em vasos ajudavam a decorar o ambiente em que predominavam o branco e o vinho, as cores da empresa. Havíamos trabalhado duro, eu e minha amiga, durante algumas semanas na confecção dos desenhos que seriam vendidos na feira de tecelagem em São Paulo. É bem verdade que foi nossa “chefe” quem criou a maioria das padronagens, mas fomos nós que nos esfalfamos desenhando sem parar — tudo feito a mão! — para cumprir o prazo sempre escasso nesses casos. O resultado surpreendeu a todos, principalmente a mim e minha amiga: mais de mil desenhos: alguns, verdadeiras obras-de-arte (sem modéstia); outros, legítimas ilustrações botânicas de fazer inveja a Margareth Mee (sem modéstia também). Assim sendo, o belo stand ornado com tulipas bordeaux parecia mesmo o lugar ideal para expormos material de tamanha qualidade.

Já havíamos recebido o pagamento pelos desenhos, mas fomos convidados (praticamente intimados) a trabalhar na feira também: afinal, quem melhor para falar sobre o trabalho do que os próprios “artistas”? Aceitamos, pois além de ser algo novo, todas as despesas de viagem e hospedagem seriam pagas pela “chefe”, sem contar que ainda receberíamos pelo serviço no Anhembi.
As roupas formais (terno e gravata) me incomodavam um pouco, pois apesar de me pertencerem, eu me sentia como se estivesse numa armadura medieval emprestada. Diferente de mim, minha amiga parecia bem à vontade nos caros vestidos de noite (estes sim, emprestados a ela por nossa “chefe”). Enfim, devidamente paramentados para o evento, sentíamos como se fôssemos tão importantes para o sucesso de nossa “chefe” quanto os desenhos que havíamos feito. Sabíamos que diante das recentes mudanças na economia, o passo pretendido pela “chefe” era tão ousado quanto arriscado, e, de certo modo, nos sentíamos responsáveis também pelo êxito conjunto que parecia iminente.

Curiosamente, o que parecia uma receita de sucesso, não demorou muito a se mostrar uma espécie de bolo solado. O número de visitantes em nosso stand estava superando todas as expectativas, mas, estranhamente, nenhuma venda se concretizava. Curioso também observar que a maioria dos interessados era de origem oriental. Nossa “chefe”, talvez imaginando que eu e minha amiga deixássemos de atender às pessoas de fato importantes (quais?), declarou ao fim do primeiro dia da feira: “Não fiquem dando atenção a esses coreanos, pois eles só vem aqui pra copiar nossas idéias!” Achamos que ela não estivesse falando sério, e no segundo dia minha amiga e eu voltamos a tratar todos com a mesma cordialidade inicial — aliás, se não déssemos atenção aos “coreanos” não o faríamos com mais ninguém, já que eles realmente pululavam. Nossa “chefe” não ficava muito tempo no stand, pois circulava pela feira fazendo contato com clientes em potencial, distribuindo cartões e convites para o stand. Mas vez por outra ela aparecia a fim de descansar um pouco e pegar nova remessa de convites e cartões. Assim que nos viu novamente dando atenção aos orientais, fez uma cara tão feia que nos intimidou. Tão logo os visitantes se foram ela disparou: “Eu já não falei pra vocês não perderem tempo com essa gente?!?!” Tentamos argumentar que não fazia sentido não dar atenção aos “coreanos” uma vez que só eles estavam nos visitando. Mas a “chefe”, parecendo inconformada, quase gritou: “Não quero que vocês percam mais tempo com eles! Eu fiz contato com o pessoal da XXX Têxtil e eles ficaram de mandar uma representante aqui. Quero que vocês se concentrem nesse cliente. Amanhã é o último dia da feira, vai ser tudo ou nada!”

Eu e minha amiga não achávamos nada simpático e profissional atender mal aos visitantes e, aproveitando os momentos em que nossa “chefe” não estava presente, tratávamos cordialmente quem entrava no stand. Acreditando que a representante da XXX Têxtil se apresentaria assim que chegasse, estávamos atentos para lhe dar tratamento VIP, sem precisar deixar de ser atenciosos com os demais. O fato da “chefe” não estar no stand não impedia que, sem que o notássemos, ela nos vigiasse do lado de fora. Quando mostrávamos os desenhos a um casal oriental, ela entrou no stand vociferando: “O que foi que eu falei pra vocês?!? A moça da XXX Têxtil já apareceu?” Os dois coreanos bateram em retirada diante da cara de poucos amigos da “chefe”, e eu e minha amiga levamos mais uma bronca.

Cansados daquilo tudo, minha amiga e eu, assim que nossa “algoz” saiu, desabamos nas cadeiras junto à mesa no canto do stand. Achamos que ela deveria estar nervosa por ver seu projeto na iminência de ruir, mas isso não justificava o tratamento que estava nos dando, tampouco o que queria que dispensássemos aos visitantes. Enfim, fartos daquela feira, daquela quantidade inacreditável de orientais e das constantes repreensões absurdas ficamos imóveis quando mais um casal com feições “coreanas” entrou no stand. “Lindos estes desenhos! Vocês poderiam nos mostrar a coleção?”, disse a mulher. “Ah, pode olhar aí, fica à vontade…” miei, entre dentes. “Um trabalho excelente! Nunca vi nada tão criativo! Foram vocês que desenharam?”, indagou ela. “Foi…”, respondeu minha amiga. “E vocês têm algum cartão com telefone?”, tornou a perguntar. “Estão aí do lado, podem pegar…” falei, num suspiro. Antes de sair do stand, quando apenas seu rosto ainda estava visível na porta a mulher se apresentou: “Ah, eu sou da XXX Têxtil. Adeus!” Olhando um para a cara do outro, tão estupefatos quanto estáticos, e sabendo que seria inútil correr atrás da moça, eu e minha amiga fizemos a única coisa possível: caímos na gargalhada.

Impressão minha ou ele me notou dessa vez? Tantos elogios… se fosse só por educação, poderia ter sido mais econômico. Ele me pareceu bem espontâneo, surpreso também, quase espantado… como se visse uma pessoa dada como morta, ou desaparecida. Impressão ou já começo novamente a ver coisas que não existem? Mas pra mim sempre existiram… até o dia em que tive que enterrar tudo, e por culpa dela! Reflexo da terapia esse resquício de revolta? Espero que sim, e que eu também consiga resolver essa coisa que já dava como encerrada, ou enterrada. Estranhíssimo, agora que começo a tentar me consertar, a ver se fico uma pessoa melhor, esse encontro com ele… A coisa mais maluca do mundo: somos praticamente vizinhos há três anos e nunca nos encontramos! Por que só agora? E logo ele? Algo deve estar conspirando a meu favor… Talvez a surpresa de Antônio seja por ter encontrado uma Irene que já começa a se transformar em outra… É claro, como não pensei nisso? Ele se espantou em ver como mudei, não tanto fisicamente, ou será que isso também? Em todo caso, reflexo da análise, sem dúvida. Se eu mesma noto a mudança, por que não ele?, depois de tanto tempo? Será que dessa vez… será um sinal? A vida é tão estranha… por que não? Por que não ele de novo?, mas com outra Irene, a que eu sempre quis ser, e só agora consigo? Por isso ele reparou em mim, só pode ser… Mas preciso não me deixar levar por coisas que talvez só estejam na minha cabeça. Um encontro inesperado, nada mais. Encontro não, reencontro. Ou será que Antônio vai me fazer pôr tudo da perder? Não estou bem agora, sozinha? Estou? Não completamente, ainda. E não posso ficar melhor com ele? Quem sabe? Talvez essa coincidência me dê a oportunidade de resolver tudo de uma vez por todas. Estou me reconstruindo, aos poucos, em segredo… não por medo ou vergonha do que Denise pense – já que a idéia partiu dela mesma –, talvez para não dar o braço a torcer, não reconhecer que mais uma vez, como sempre, ela estava com a razão. Na hora certa conto tudo. Até lá, se ela me perguntar alguma coisa invento uma mentira. Mas Denise não vai perguntar nada. Há muito que eu pareço ter deixado de existir pra ela. Além do mais não sou obrigada a dar satisfações do que faço – mesmo que eu goste dela, mesmo que ela diga gostar de mim… Tanta coisa ainda a consertar!… E agora Antônio outra vez. E eu aqui, fritando os miolos com suposições.

Ele está ótimo. Os cabelos grisalhos e os óculos lhe deram um ar de intelectual. Ele parece outro, mas ainda me lembra o Antônio de que eu gostava, e que não devia gostar, ou melhor, não adiantava gostar. Sempre fui tão boba nesses assuntos… o oposto de Denise. Mas ele não gostava de mim, nem me notava, só tinha olhos pra ela, que não o amava… Quantas confidências Denise me fez!… e eu sem coragem de dizer a ela o quanto gostava dele… mas de que isso adiantaria? Denise não poderia dizer a Antônio pra se apaixonar por mim já que ela não se sentia atraída por ele. Se eu não fosse irmã dela seria fácil me afastar, ou ignorar suas confidências… Se eu conseguisse ser tão franca quanto ela talvez tivesse sofrido menos… mas já faz tanto tempo!… tudo acabou, essa bobagem que estou sentindo deve ser algum reflexo desse passado. Nem sei se ele está comprometido… talvez esteja até casado, se bem que não vi nenhuma aliança na mão dele… 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Como na semana passada alguns leitores — ou melhor, algumas leitoras — demonstraram curiosidade em “ouvir” a voz de Irene, ei-la aqui. Será que, a exemplo do que ocorreu no post anterior, agora quem vai despertar interesse é Denise? Ou ainda Antônio? E Irene, terá correspondido à provável expectativa que haviam criado em torno dela?
Admito que fiquei curioso em saber, por isso não resisti a publicar mais este fragmento.