Como não consegui pensar em nada razoável para publicar esta semana, recorro a um “repeteco”: um post já publicado nos primórdios do meu blog anterior (mas que está valendo até hoje). Acho que foi a coisa mais divertida que já escrevi — até eu achei graça quando o reli!

futilidade masculina

Se existe uma coisa que detesto é ter que fazer a barba. Digo “ter” porque de nada adiantaria deixá-la crescer: além de rala e falhada, agora a profusão de pêlos brancos que insistem em surgir me deixam com um aspecto deplorável. Desde que esses pêlos começaram a nascer no meu rosto adolescente experimentei várias formas na tentativa de remoção; na verdade cinco. Vamos a elas:

1. Barbeador Elétrico

Algo que só funciona perfeitamente se for usado a cada 30 minutos (quem tem barba cerrada deve aumentar o intervalo para 5 minutos). Foi meu primeiro contato com a prática (nada prática) na remoção de pêlos faciais. Pensando que o problema estava nos produtos usados na pele (talco ou óleo) para fazer o barbeador deslizar, alternei os dois durante muitos anos, até abandonar a técnica pouco eficaz de vez.

2. Lâmina de Barbear

Pareceu-me a alternativa óbvia ante o fracasso do barbeador elétrico. Comparativamente mais eficiente que o primeiro método, o mais desagradável é que, junto com os pêlos, uma considerável camada de pele é removida pelas lâminas (inútil aquela borrachinha que alegam conter Aloe vera). Para quem, como eu, tem pele fina nada mais “confortável”. No entanto, a parte mais dramática vem na seqüência: a aplicação da loção após barba. É como deslizar nu sobre um tobogã de gilette caindo imediatamente numa piscina de álcool. Ui! Achei que fosse questão de tempo esperar minha pele “engrossar” com tal processo, mas isso nunca aconteceu.

3. Depilatório (sim, eu fiz isso!)

Sempre buscando alternativas inovadoras, observei que minha mãe usava um método que parecia interessante na remoção dos pêlos de suas pernas: eles eram dissolvidos!, e demoravam um tempão a renascer. Por que não adaptar tal coisa ao meu caso?, pensei. A embalagem alertava para o uso do produto exclusivamente nas pernas ou axilas, mas desconsiderei a advertência, achando que apenas não tinham tido a mesma idéia brilhante que eu. Passei a gosma com cheiro de esgoto no rosto, prendendo o nariz com a ponta dos dedos e olhando no espelho o resultado milagroso. Mas o que vi foi meu rosto instantaneamente vermelho e ardente como brasa, chegava a sair fumaça! Água, água, água! A cara ficou um desastre por vários dias, mas consegui sobreviver.

4. Cera quente (desespero de causa?)

Uma conhecida — que se considerava esteticista — garantiu-me que com a cera quente eu me livraria da barba por aproximadamente 2 semanas. Se eu tornasse aquela prática num hábito, em pouco tempo não teria mais que me preocupar com o barbear, continuou ela assegurando. Acreditei. No cubículo escuro que ela denominava consultório, deitei numa espécie de maca e deixei que a “esteticista” arrancasse meu couro. Quando a sessão de tortura terminou — cerca de duas horas mais tarde — ela me deu um espelho de mão. Naquela escuridão o resultado me pareceu satisfatório, e eu nem fiquei chateado em pagar a fortuna cobrada pelo serviço. Só quando cheguei em casa, e corri ao espelho iluminado do meu banheiro, pude comprovar a realidade: um monte de pêlos indesejáveis vicejava em plena vermelhidão facial! Quatro dias mais tarde TODOS os pêlos me acenavam debochados da saída de seus folículos.

5. Pinça (técnica chinesa – de paciência)

Requer habilidade, dedicação e muito, muito tempo. E, claro, precisa ser feita em etapas. Inconvenientes: alguns pêlos renitentes são dolorosíssimos de se arrancar, sobretudo os mais grossos; a probabilidade dos novos pêlos encravarem é surpreendente (eles ficam revoltados). Desvantagem: sendo feita em etapas, a cara fica parecendo uma lavoura abandonada no meio da colheita. Acabei me rendendo aos inconvenientes e desvantagens.

Hoje, mais de 20 anos depois do início de tudo, acabei adotando as lâminas de barbear como a técnica menos complexa. Ainda me corto todo e minha pele parece afinar cada vez mais. Entretanto, alguém teve a excelente idéia (deve mesmo ter sido um homem) de mudar a fórmula de algumas loções após barba tornando-as compatíveis com a pele humana retalhada. A descida sem roupa no tobogã de gilette continua a mesma, só que o mergulho agora é feito num tanque de bálsamo hidratante de fácil absorção, que amacia e relaxa a pele, deixando-a com aparência saudável. Estranhamente, apesar de soar como pura frescura, a promessa das novas loções se cumpre. Enfim, um pouco de suavidade nesta tarefa ingrata.

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