carta

Recentemente, arrumando gavetas — procedimento que sempre acabo adotando no fim do ano — encontrei uma mini-análise grafológica que, se não me engano, fiz no começo dos anos 80, num shopping do Rio. Bastava escrever uma das frases indicadas (sim, pois era necessário que determinadas letras fossem obrigatoriamente escritas) para que uma espécie de computador apontasse alguns traços significativos da personalidade do interessado. O resultado da minha curiosidade foi o seguinte:

  • a insociabilidade pode ser o seu ponto mais fraco

  • você se caracteriza por auto domínio e disciplina, apesar de seu entusiasmo

  • você tem espírito ativo, independente e muito sensível

  • você é uma pessoa sonhadora e imaginativa, porém extremamente equilibrada

  • sua capacidade de articulação é notável

  • você é uma pessoa madura, mas demasiado voltada para si mesma

Lembro que na época (eu devia ter uns 20 anos) achei interessante o perfil que minha letra revelava, ainda que não concordasse inteiramente com ele. Hoje, para minha surpresa, ainda que minha letra não seja mais a mesma, e que eu nem acredite tanto na grafologia (ou pelo menos nessa versão tão resumida), o resultado me parece bem mais fiel ao que acabei me tornando. Excetuando-se a “notável capacidade de articulação”, que não tenho mesmo, o restante é o meu retrato: sem tirar nem pôr. Análise futurológica? Talvez. 

Eu já tive uma letra que considerava (e consideravam) muito bonita — provavelmente por causa da minha habilidade com desenho. Entretanto, com o passar do tempo, e com a cada vez mais rara possibilidade de escrever a mão — ah, computadores! —, minha caligrafia se degenerou em algo que hoje me espanta, me aborrece. E se eu fizesse o mesmo teste nos dias atuais?, o que será que minhas garatujas revelariam? Provavelmente algo diferente do perfil de 20 anos atrás… ou não?

A verdade é que, atualmente, não tenho mais tanta necessidade de saber quem sou: talvez eu já o saiba, ou talvez isso não importe tanto. O que me parece certo — e lamentável! — é que acabei perdendo uma “habilidade” que, independente de análises, me caracterizava de forma personalíssima, exclusiva, singular. Que saudades da minha letra de outrora!…

Anúncios