— Há palavras que fazem mal se as guardamos dentro de nós. Não quero que você guarde as que tem contra mim.
[...]
— Compreenda — continuou por fim. — Já que a coisa aconteceu, que eu falei, você não pode fazer nada contra. Ela permanece entre nós dois. Se você fizer de conta que não falei nada, então ela crescerá de importância, mil vezes mais do que eu quis dizer.

Os Pequenos Cavalos de Tarquínia | Marguerite Duras (1953)

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Isso já aconteceu comigo, aliás, as duas coisas: já guardei palavras que me fizeram mal; e também já expus palavras que tinha “contra” outrem. Por experiência própria, penso que o mal é feito em qualquer dos casos: contra si mesmo (quando se guarda o que deveria ser dito) ou para o outro (dependendo de como irá encarar a “revelação”).
O que me intriga um pouco na “conclusão” da segunda parte do trecho acima é não saber exatamente a quem atribuir o aumento da importância do que foi dito quando se faz de conta que nada aconteceu: mil vezes mais importante para quem disse ou para quem o ignorou? Provavelmente para ambos.

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